Thursday, May 17, 2007

Carta à RBS sobre cancelamento do Programa Célia e Celma

Ao Grupo RBS.



Prezado senhor Diretor-presidente Nelson Pacheco Sirotsky,


a solidez do grupo RBS não vem de hoje. Desde sua fundação, em 1957, por Maurício Sirotsky Sobrinho, a RBS vem se consolidando representativo grupo multimídia. Crescimento admirável, o qual é incentivado pela missão de “facilitar a comunicação das pessoas com seu mundo”.

Repousa às mãos dos condutores e colaboradores do Grupo imensa responsabilidade. Afinal, a comunicação das pessoas com seu mundo é evento dos mais mágicos da vida, que rompe fronteiras, permitindo, constantemente, a descoberta de si e dos demais.

Comunicar é a base da racionalidade e da passionalidade que hoje nos move.

Ser, então, seu facilitador, é tomar para si a responsabilidade de fazê-lo com responsabilidade, respeito e ética. Princípios pétreos que acabam por sustentar os valores do Grupo, dos quais se destacam: responsabilidade empresarial, satisfação do cliente, compromisso social e comunitário, desenvolvimento pessoal e profissional, liberdade e igualdade e ética e integridade.

E é por todo esse comprometimento que, como pessoa em contato com meu mundo, escrevo para o senhor.

Porém, triste escrita essa.

Como é de vosso conhecimento, a atualidade dos negócios muitas vezes entra em choque com que os valores propugnados da comunicação sejam levados a cabo com o comprometimento ao qual o Grupo RBS se faz estritamente. E tal contradição vem à tona, e muito entristece, pelo cancelamento repentino do “Programa Celia & Celma” da programação do Canal Rural.

O “Programa Celia & Celma”, no ar por nove anos consecutivos, divulgou mais de mil artistas brasileiros. Relegá-lo da grade, num país diverso como o Brasil, não se trata apenas de reduzir custos empresariais, mas, indubitavelmente, dirimir acesso à cultura.

O próprio Canal Rural, ciente do papel que possui ao acesso à cultura, divulga em seu site que “quer exibir cada vez mais a programação regional do Brasil para apresentar o mosaico que é a cara e o sotaque brasileiro”.

Entretanto, o cancelamento de Celia & Celma nos faz voltar à realidade de que, a despeito da cultura ser pública, não necessariamente seu acesso o é.

Celia & Celma, no Canal Rural, facilita a comunicação das pessoas com seu mundo, seu povo, sua cultura. Ao abrir espaço para independentes, Celia & Celma inauguraram vanguarda de manifestação cultural, na qual quem é brasileiro se fazia assim em cadeia nacional. Longes de ditames do mainstream da indústria cultural, com este Programa o Canal Rural vivenciava categoricamente seu valor de compromisso social e comunitário, mostrando todos os sotaques do Brasil.

Em Celia & Celma, a cultura popular se fazia presente, pública e notória àqueles que têm seu direito de não apenas se manifestar culturalmente, mas viver à própria manifestação – assistindo aos mais variados artistas desse país, conhecidos de seus pares e, por questões comerciais, desconhecidos de seu país.

Por isso, senhor Diretor-presidente, esta escrita é triste. Triste, pois mais uma porta que antes abria perspectiva para rompimento das fronteiras da cultura se fecha, abruptamente. Aos telespectadores e artistas desse país, resta, agora, não apenas a janela da programação, mas restrições à sua própria possibilidade de manifestar o belo, sua arte, sua cultura.

Diante desses singelos fatos, peço, encarecidamente, alternativas para a volta do Programa Celia & Celma à grade do Canal Rural e aos lares dos brasileiros.



Com sinceros votos de revisão da decisão,



Diego Coelho

TIM anuncia loja de música no celular para 1º de junho

WNews - 17/5/2007 - Por Redação
A TIM lancará no dia 1º de junho a sua loja de música no celular, a TIM Music Store. Como campanha promocional de estréia, a operadora oferecerá gratuitamente 50 mil fulltracks (músicas inteiras). O usuário pagará apenas pela navegação Wap. O serviço prevê ainda sons polifônicos, imagens, vídeos e notícias. A novidade vale para 28 dos 54 modelos GSM com característica de player compatíveis com fulltrack e 94 compatíveis com truetone. O diferencial da loja, segundo Gabriel Mendes, gerente de serviços de valor agregado, é o fácil acesso (pelo portal TIM WAP ou pela WEB) e um preço acessível. Para uma música de 350 a 400Kb, o valor estimado a ser cobrado é de R$ 4,80, mas esse custo deverá variar de acordo com o plano. O usuário poderá comprar a canção pelo nome do artista ou da música. Pela Web, o consumidor entra, escuta trechos e compra o arquivo para recebê-lo por SMS no aparelho. Já pelo WAP, é preciso saber o nome da canção.

Friday, March 16, 2007

Caros amigos
Conforme Encontro recente em Recife em que Juca Novaes participou, ( o Amilson e eu estamos de acordo ) , segue abaixo a descrição dos objetivos da ABGI e vantagens que terá a oferecer aos filiados. É importante que nos filiemos à ABGI para integrarmos o Pró Música. ( APEX+ BM&A + ABMI+ABGI + MinC)
Quanto mais filiações conseguirmos, mais estará atendida a intenção de nacionalização da instituição, e do atendimento aos nossos objetivos.
Zezé Freitas


Propósitos
1. Arregimentar todos os artistas (intérpretes, compositores, músicos
acompanhantes), selos e produtoras e afiliá-las à ABGI, com o propósito de
dar a maior abrangência e quorum nas apresentações de projetos às
instituições governamentais e empresas privadas;

2. Organizar um banco de dados de fonogramas de todos os gêneros musicais
brasileiros para oferta de contratos de downloads - já temos 3 contratos com
empresas na europa para serem assinados diretamente pelos artistas; é uma
forma de ganhar capital com fonogramas mais antigos e poder investir em
novos trabalhos;

3. Organizar um banco de projetos, com incentivo da Lei Rouanet, para que a
ABGI possa oferecer e manter disponível às empresas privadas;

4. Disponibilizar informações, fotos, mp3 de todos os artistas no site
vitrine da ABGI que fará parte do Portal Música do Brasil;

5. Disponibilizar prestação de serviços de produção de conteúdo de produtos
e shows no Brasil e no Exterior, incluindo documentação fiscal, relatórios
técnicos e prestações de contas;

6. Participação nos projetos de exportação com a APEX, através de feiras e
congressos, encontros de negócios, desfiles de moda, eventos nas embaixadas
etc...;


7. Organização e representatividade perante os Órgãos Públicos brasileiros e
o mercado da música, interno e externo;

8. Comunicação direta com Rádios, TVs, Imprensa, produtores e compradores de
shows, do Brasil e do Exterior;

9. Compilação em mp3 de um catálogo formado pelos trabalhos de artistas
brasileiros para os meios de comunicação do exterior, regularmente
atualizados;

E muito mais, desde que possamos unir as forças existentes na capacidade de
produzir e na representatividade. Carlão quer conversar após a Feira Música
Brasil; Costa Netto quer fazer a fusão com a ABGI; APEX quer que a ABGI
realize esta façanha de unir as 3 associações para que juntas possam
explorar o que cada uma tem de mais forte.

É preciso portanto, pessoas jurídicas para serem sócias e para afiliação,
pessoas jurídicas e físicas. Quanto mais estados e artistas inseridos, mais
poder político e mais barato para todos. Penso que poderíamos acelerar este
processo de afiliação, discutir as idéias acima e outras sugeridas, levantar
um orçamento paras despesas operacionais e começar a trabalhar
imediatamente. Estou anexando o modelo de afiliação )pessoa física e
jurídica) para colher assinaturas, que por enquanto não obriga ninguém a
nada, apenas oferece os recursos da ABGI.

Lembrando que agora a ABGI tem um escritório de representação na Europa,
para pesquisa de mercado voltada à venda de shows e marketing nas feiras, e
que também está trazendo contratos para venda de fonogramas pela Internet.
Precisamos aproveitar este momento para gerar recursos.

Talvez tenha me esquecido de algo, mas estou na correria e você deve
lembrar-se de tudo que conversamos em reuniões efetuadas na ABGI.

Um grande abraço e que tudo dê muito certo.

Marcia Cavallini - ABGI.

Wednesday, March 07, 2007

Aprovado projeto que pune prática de jabá em rádios

Músicas tocadas
Aprovado projeto que pune prática de jabá em rádios

por Gláucia Milicio
A prática do jabá poderá se tornar crime. É o que prevê o Projeto de Lei 1.048 aprovado, na quarta-feira (29/11), pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A proposta foi apresentada, em 2003, pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE) e agora seguirá para o Plenário. Se sancionada a proposta, as emissoras de rádio que receberem dinheiro para colocar música no ar poderão ser punidas com multa. Os responsáveis podem pegar detenção de um a dois anos.
Poderão ser responsabilizados radialistas, apresentadores, produtores, gerentes de marketing ou qualquer profissional que tenha participado da negociação.
Para o advogado Nehemias Gueiros, especialista em Show Business, o projeto é um avanço. Segundo ele, a prática gera um grave prejuízo para o mercado de novos artistas que vêm de locais distantes para o pólo musical.
Nehemias diz, ainda, que nos Estados Unidos a prática de jabá já é crime há muitos anos. Lá, a pena é mais severa que a brasileira: quatro anos de detenção e multa de até US$ 10 mil. “Já a nossa, no seu grau mais severo, é a cassação da emissora”.
De acordo com a legislação americana, uma emissora de rádio sempre pode tocar determinada música em troca de pagamento, desde que isso seja informado no ar pelo locutor. O nome da empresa pagadora também deve ser informado. Mas a empresa não pode ser uma gravadora ou empresa de produção artística. O mesmo vale para as gravadoras brasileiras.
O advogado elogiou a iniciativa de artistas como Lobão e outros que sempre lutaram em prol da causa. “Sinto-me, também, honrado, em ter participado diretamente desta empreitada, desde o lançamento do meu livro em 1999 [O Direito Autoral no Show Business], em que dediquei um capítulo específico ao jabá”, diz.
A proposta foi aprovada também pelas comissões de Educação e Cultura; Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.
Leia a íntegra do projeto
PROJETO DE LEI 1048, DE 2003
Do Sr. Fernando Ferro
Acrescenta dispositivo à Lei 4.117, de 27 de agosto de 1962, que ”Institui o Código Brasileiro de Telecomunicações”
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta lei visa proibir as pessoas jurídicas autorizadas, concessionárias ou permissionárias de serviços de radiodifusão e
televisão, de receber dinheiro, ou qualquer outra vantagem, direta ou indireta, de gravadora, artista ou seu empresário, promotor de concertos, ou afins, para executar ou privilegiar a execução de determinada música.
Art. 2º A Lei 4.117, de 27 de agosto de 1962, passa a
vigorar acrescida do seguinte art. 53A:
“Art. 53A. Constitui crime, punível com a pena de detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, sem prejuízo das sanções de multa, suspensão ou cassação, previstas nesta lei, receber, na qualidade de proprietário, gerente, responsável, radialista ou apresentador de pessoa jurídica autorizada, concessionária ou permissionária de serviço de radiodifusão, dinheiro, ou qualquer outra vantagem, direta ou indireta, de gravadora, artista ou seu empresário, promotor de concertos, ou afins, para executar ou privilegiar a execução de determinada música.”
Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
A pirataria não é o único problema a ser resolvido no mercado fonográfico brasileiro. Outra questão, igualmente séria, pelos prejuízos que acarreta, deve ser enfrentada pelo legislador: o pagamento de verbas e favores para a execução de músicas nas rádios e emissoras de televisão brasileiras.
Esse pagamento é feito de duas formas, uma clandestina e outra declarada, inclusive com nota fiscal. O JABÁ propriamente dito, originário da palavra jabaculê (gorjeta, propina, dinheiro), acontece quando, informalmente, um radialista ou apresentador recebe dinheiro ou favores de forma direta ou indireta ( ex: a gravadora coloca uma motocicleta nova para fazer sorteio na rádio) para, em troca, executar alguma música.
A quantia pode ser paga por empresários dos músicos, representantes das gravadoras ou agentes intermediários. Já a maneira oficial, chamada de “verba para divulgação”, funciona como parte integrante do material promocional dos discos.( Não se pode negociar espaço público).
Essa prática favorece quem tem estrutura financeira e prejudica novos artistas,( nenhum artista está imune ao jabá, é só observar a programação uniforme das rádios) que não possuem, como retaguarda, um grande esquema. Isso contraria o princípio das autorizações, concessões e permissões públicas de radiodifusão, privilegiando a minoria e tornando menos democráticos os veículos de comunicação.
A par disso, músicos que gravam em selos independentes, conquanto tenham grande público e vendam muitos discos, acabam não sendo ouvidos nas rádios e TVs, justamente porque não possuem uma grande gravadora pagando por isso. Assim sendo, a aprovação desta proposição virá em benefício não apenas da grande maioria dos músicos de nosso país, mas, também, de toda a sociedade civil que poderá ter acesso a toda a diversidade cultural que o Brasil possui, motivo pelo qual estamos certos de contar com o decisivo apoio de nossos pares para a sua rápida aprovação.
Sala das Sessões, 2003.
Deputado Fernando Ferro

PT/PE
Revista Consultor Jurídico, 4 de dezembro de 2006

Wednesday, February 28, 2007

BNDES vai ajudar a reinventar mercado fonográfico 26/02

BNDES vai ajudar a reinventar mercado fonográfico
26/02/2007 Carlos Gustavo Yoda - Carta Maior


O Brasil é conhecido em todo o mundo pela sua diversidade musical. O setor, o mais movimentado da economia da cultura no país, passa hoje por grandes dificuldades. Embora as novas tecnologias da informação tenham possibilitado maior acesso aos produtores (nunca foram lançados tantos álbuns de forma independente), a facilidade de cópias virtuais e de cedês e devedês gerou prejuízos enormes à grande indústria do entretenimento. Resultado: hoje grandes gravadoras como a Warner Music não mantêm mais de vinte artistas ou bandas em seu catálogo no país.


A música se reinventa com produtoras e gravadoras independentes e, diretamente, com o trabalho dos músicos. A carência de investimentos e a falta de planejamento e entendimento do setor, no entanto, dificultam o desenvolvimento. Assim, o Ministério da Cultura realizou em fevereiro, em Recife, a Feira Música Brasil 2007 (saiba mais - http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13302), com o objetivo de difundir a qualidade e a diversidade da produção brasileira. O evento, que deve se tornar anual, pretende ser a grande vitrine da música brasileira e de seus produtos, atraindo compradores de dentro e de fora do país.


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo maior patrocinador da cultura no Brasil, foi um dos organizadores do evento. Seu intuito era conhecer as especificidades desse complexo setor da indústria criativa, para criar um plano de financiamento apto a contemplá-las. À frente do desafio, a chefe do Departamento de Economia da Cultura do Banco, Luciane Gorgulho, explicou à Carta Maior e à Cultura e Mercado os tipos de incentivo e as linhas de financiamento que o BNDES oferece e os planos para reinventar o mercado fonográfico brasileiro.


Carta Maior – Esse pensamento de “economia da cultura” é uma discussão recente no Brasil, apesar de o setor ser um dos que mais cresce no mundo. Por quê?


Luciane Gorgulho – É um fenômeno mundial. Foi em 2001 que a expressão surgiu pela primeira vez, com o livro de um especialista australiano. Alguns organismos internacionais dissiparam a idéia, e o Ministério da Cultura, com Gilberto Gil, embarcou na proposta. O Fórum Cultural Mundial concretizou essa idéia, e o MinC criou um programa específico, o Programa de Desenvolvimento da Cultura. Assim, identificamos que a cultura pode ser um instrumento de desenvolvimento fundamental. É até curioso que isso tenha nascido nos países mais desenvolvidos. Basta ver a produção cinematográfica dos Estados Unidos. Sendo o BNDES o principal braço de financiamento de longo prazo do país, começamos a pensar nisso.


CM – Que modelos de financiamento e patrocínio na área de economia da cultura o BNDES oferece?


LG – O BNDES há muitos anos apóia as atividades culturais, mas era sempre através de patrocínio, o mecenato. Desde 1985, eram promovidos shows abertos à comunidade na sede do Banco no Rio de Janeiro. Depois disso, começamos a apoiar o cinema. No início não era nem por edital, só depois desenvolvemos o sistema de edital que utilizamos hoje, parecido com o da Petrobrás. Isso começou em 1995 e, dois anos depois, o BNDES começou a apoiar o restauro do patrimônio histórico brasileiro, através da Lei Rouanet. Em um primeiro momento, trabalhamos com as igrejas barrocas e hoje apoiamos qualquer patrimônio tombado pelo IPHAN (www.iphan.gov.br). Isso pode ser feito individualmente, conforme cada caso, ou em contratos com as cidades pólos. Isso porque é preciso discutir como um todo. Às vezes, a reforma de uma única igreja não faz muita diferença. Mas a revitalização de vários patrimônios históricos de algum lugar pode alavancar o potencial turístico de uma região. Já fizemos isso em Olinda, Ouro Preto e Rio de Janeiro. Vamos começar outros, mas ainda não escolhemos as cidades que serão beneficiadas. Além disso, patrocinamos também a preservação de acervos museulógicos, bibliográficos e arquivistas. É o restauro do conteúdo histórico, além dos prédios patrimoniais. Até hoje já foram investidos mais de R$ 200 milhões. Este ano, o patrimônio histórico recebe cerca R$ 21 milhões, R$ 12 mi para o cinema e R$ 6 mi para acervos.


CM – Isso tudo em mecenato. E os financiamentos?


LG - Em julho do ano passado foi criado o Departamento de Economia da Cultura, cuja chefia eu assumi, para administrar os patrocínios e criar mecanismos de financiamento para o setor cultural. O termo "economia da cultura" vem aparecendo há um tempo para delimitar as indústrias ligadas ao setor. É um olhar não só pela questão da identidade, diversidade e expressão artística. O objetivo é pensar o desenvolvimento econômico. O BNDES quer incentivar esse setor, com o pensamento do governo de que a economia da cultura é um setor estratégico.


O primeiro programa criado foi o financiamento do audiovisual. Isso ocorreu porque era um setor que a gente já conhecia. Já tínhamos algumas linhas de incentivo a salas de cinema. Mas não estava adaptado ainda à realidade, pois não havia garantias. Como toda indústria criativa, o cinema não tem ativos reais, ativos tangíveis. Tudo é baseado em bens intangíveis, conhecimento, cultura. Nesse sentido, criamos o Procult para apoiar todo o setor audiovisual, baseado nas receitas que os setores geram. Hoje podemos vincular a nossa garantia até à receita de bilheteria, além do imóvel. Estabelecemos também taxas de juros mais baixas. A idéia do Procult era abrir para novos setores também. Nisso envolvemos até o financiamento de construção de estúdios, aprovado neste mês com R$ 7 milhões.


O próximo passo é a música. Por isso estivemos presentes de forma ativa na Feira Música Brasil 2007, em Recife. Lá pudemos conhecer um pouco da realidade do setor, que é muito complexo, e em breve devemos lançar algum programa de financiamento.


Além disso, o BNDES não faz investimento em fundos de capital de risco, mas, pela Lei do Audiovisual, o Banco investe no FunCine e tem interesse em investir em novos fundos que forem criados.


Além disso, existe o cartão BNDES, que na verdade é um investimento que o Banco já possui há 2 ou 3 anos, que cada vez mais vem sendo utilizado por todos os setores. O que estamos fazendo no caso dos setores culturais é estimular o credenciamento de fornecedores específicos deste setor. O cartão BNDES funciona como um cartão de crédito, e os clientes usam para comprar equipamentos etc. Já é pré-aprovado, há um limite que pode ser usado, a taxa de juros é pré-fixada e abaixo do preço de mercado. O esforço agora é de credenciar os fornecedores dos setores culturais. Já houve este esforço com o setor do audiovisual, depois vamos fazer com a música, de forma a levar esses produtos e atender esses setores culturais também. Resumidamente, o Procult passou a ter um orçamento de R$ 175 milhões até 2008 para o audiovisual, depois criaremos também um investimento para a música, que terá uma dotação suplementar.


CM – Mas ficará incluído no mesmo programa, no Procult?


LG – Sim, essa foi uma opção nossa, de não ficar criando vários nomes e projetos diferentes.


CM – Há algumas semanas, na Agência Brasil, foi publicada uma entrevista com a Sra. sobre a ocasião da Feira da Música, quando seria lançado esse programa de financiamento para a música. Já tem alguma dotação orçamentária específica? Seria aproximadamente o equivalente à do audiovisual, como na notícia? Existe alguma previsão?


LG – Não, nem foi anunciado nada na Feira da Música. Nós estávamos usando a Feira, o BNDES até patrocinou, para conhecer melhor esse setor, pois cada setor tem características diferentes. Por exemplo, a questão dos recebíveis do cinema: com a música não funciona da mesma forma, pois não há bilheteria, não há uma base de shows na parte amadora. Então, nós estamos conhecendo melhor o setor para criar o programa já com características que atendam as especificidades. Por isso, não temos uma data ou prazo, mas pretendemos fazer isso o mais rápido possível. Estamos em reuniões com o setor, porém ainda não temos uma dotação prevista. Eu suponho que seja talvez semelhante à do audiovisual, mas ainda não temos essa codificação.


CM – Nesta primeira impressão, já passada a Feira, como vocês analisam esse setor? O que vocês acham mais fundamental: trabalhar com os produtores independentes, com os quais foi feita parceria na Feira da Música, ou são as grandes gravadoras com problemas financeiros que precisam de um aporte, ou o músico independente, que é o maior produtor musical hoje em dia no Brasil? Como vocês entendem que deve funcionar essa linha de financiamento? Qual é a primeira impressão de prioridade nesse setor?


LG – Nós não temos uma prioridade e nem precisamos, porque o orçamento de desembolso total do Banco é de R$ 70 bilhões: não deixa um problema de carência de recursos que o BNDES poderia oferecer ao setor. Agora é estabelecer condições para os financiamentos que os clientes possam tomar como financiamento, sem problemas. Mas em termos de uma análise, como você perguntou, nós sabemos que o setor da música está passando por uma grande transformação por conta da queda da venda de CDs fixos, por causa das vendas digitais e da pirataria, fixa ou virtual. Então, percebemos que é um setor que está precisando se reinventar, descobrir novas formas de comercialização do seu conteúdo ou ações associadas, adicionar valor agregado aos produtos que estão sendo feitos. Antes só existia o CD, agora deve ter um leque de produtos associados àquilo. As grandes gravadoras seriam talvez um foco, pelo fato de elas terem, nesse momento, de redirecionar seu planejamento estratégico e, para isso, precisarem de recursos. Da mesma forma, existem as distribuidoras, que têm de se adaptar às distribuidoras digitais com as músicas, e elas precisam crescer e também precisariam de recursos. As distribuidoras fixas sofrem também com as mudanças do setor. Há também as fábricas de discos que trabalham com um paradigma anterior, e teríamos de ver como elas responderiam a isso. A única coisa que você mencionou com a qual não acreditamos que haverá possibilidade de trabalhar é em relação aos músicos, pois o projeto não tem tradição de trabalhar com uma pessoa fixa. Existem pouquíssimas exceções com catadores de papel, mas é uma ação mais social. O BNDES tipicamente trabalha com empresas. Então, o nosso objetivo é fortalecer as empresas do setor.


CM – Vamos fazer um balanço da Feira. Vocês já desenvolveram, fecharam alguns negócios e anunciaram algumas coisas, como a questão da TV MPB ...


LG – Isso não foi uma ação tão específica que fizemos na Feira, foi uma ação que chamamos de Venture Forum de negócios. É uma roda de negócios entre empresas e investidores, tipicamente investidores de capital de risco. Mas essa não é uma ação que o BNDES desenvolve regularmente, foi uma oportunidade da Feira da Música. Nós éramos os patrocinadores e gostaríamos de ter um contato maior com o setor. Até pelo BNDES não ter uma linha de financiamento para atender ao setor, gostaríamos de colocar as empresas em contato com os investidores que poderiam se interessar em capitalizar os negócios. Então, nós fizemos um trabalho inspirado nessas rodas de negócios, mas lá o foco é para as empresas de tecnologia. O objetivo deste trabalho foi trazer as empresas e dar algum tipo de assessoria a elas no seu plano estratégico, como negócios (os números da empresa, qual estratégia seguir para sua sobrevivência no novo paradigma, qual a necessidade de recursos para investimento, quanto ela precisaria captar e até onde ela consegue chegar com isso). Assim, dar toda uma assessoria para essas empresas terem condições de captar investidores, e também para o BNDES poder conhecer melhor as empresas, suas dificuldades e características, para formatar nossa linha de financiamento. Porém, só para ressaltar, essa foi uma ação muito interessante por essa empresa (TV MPB) e não só com gravadoras. Teve empresas de softwares, de ensino de música, redes de canais de MPB para a televisão, então não foram só gravadoras tipicamente.


CM – Saiu uma notícia nessa semana sobre o apoio do financiamento do BNDES à teledramartugia. Isso seria um diferencial aos produtores independentes, que poderiam financiar até 90% do projeto de novelas ou mini-séries. Como vai funcionar exatamente essa questão das novelas e mini-séries?


LG – Realmente, no final do ano passado, o BNDES aprovou um programa grande para a TV digital, que envolve a parte de infra-estrutura, fornecedores e conteúdo. Ainda não houve uma divulgação ampla, ainda está sendo divulgado pelo presidente Lula. Haverá o financiamento para o conteúdo, considerando-o uma obra audiovisual, como filmes para a TV, documentários, séries. O Procult, na verdade, já permitia o financiamento deste tipo de obra audiovisual, a diferença é a questão justamente da TV digital.






Conteúdo desenvolvido em parceria editorial com a Agência Carta Maior

Wednesday, February 14, 2007

Vem aí a TV MPB 14/02/07

Vem aí a TV MPB

Veja OnLine, 4ª feira, 14-02 07:19
O Brasil pode ganhar em breve um canal musical, totalmente dedicado àMPB. O projeto, orçado em 7,5 milhões de reais, foi um dos trêspré-selecionados pelo BNDES durante a 1ª Feira Música Brasil,encerrada domingo em Recife. Apenas 12 grupos apresentaram projetos definanciamento durante o evento. Além da TV MPB, o banco selecionou umpedido de 2 milhões de reais da ST2, empresa especializada em músicainfantil e um de 2,5 milhões de reais dos estúdios Visom Digital paraum projeto de gravação de CDs de música erudita.

Tuesday, February 13, 2007

Feira Música Brasil termina com R$ 8,5 milhões em transações

Feira Música Brasil termina com R$ 8,5 milhões em transações


por O GLOBO ONLINE


Com patrocinadores de peso - como BNDES e Petrobrás - a Feira Música Brasil 2007 terminou superando a expectativa quanto ao volume comercializado. A expectativa era que as rodadas de negócios rendessem R$1,5 milhão, mas de acordo com Sebrae foram fechadas transações de R$8,5 milhões entre 18 empresas compradoras e 75 fornecedoras.A feira contou com 900 pessoas inscritas para conferências e negócios, mobilizou 250 músicos e 180 profissionais de imprensa, teve 36 conferencistas e necessitou de 500 profissionais de produção e apoio. A exposição onde ficaram os estandes de empresas participantes, recebeu 2.100 visitas por dia

Feira Música Brasil, realizada em Recife, tem saldo positivo

Paulo, terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Feira Música Brasil, realizada em Recife, tem saldo positivo

Evento, sem grandes gravadoras, deve gerar R$ 8 milhões em negociações
ADRIANA FERREIRA SILVAENVIADA ESPECIAL A RECIFE Mesmo sem a presença de grandes gravadoras, como Sony-BMG, EMI, Warner e Universal, a Feira Música Brasil terminou com um saldo positivo, que surpreendeu tanto a organização quanto os selos independentes que participaram do evento. Segundo dados do Sebrae, há uma expectativa de que R$ 8 milhões em negócios tenham sido realizados durante a primeira edição do encontro, que ocorreu do dia 7 ao domingo passado, em Recife. Inspirada em feiras internacionais, como a francesa Midem, a FMB foi criada pela Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), com patrocínio do Ministério da Cultura e do BNDES, para dar visibilidade e fomentar a indústria da música no Brasil. "Mostramos como os independentes têm representatividade no cenário fonográfico nacional. Nos sentimos mercado", avaliou Carlos de Andrade, presidente da ABMI. Sobre a ausência das "majors" e de gravadoras indies importantes, como a Trama, Andrade acredita que eles "pagaram para ver". "Infelizmente, talvez não acreditassem que esse organismo fosse capaz de fazer o que fez", afirmou. "Garanto que, no próximo ano, eles virão. Assim como garanto que teremos uma grande gravadora aqui. Uma ou mais." NegóciosO ministro da Cultura Gilberto Gil era um dos mais empenhados no projeto. Ele permaneceu os cinco dias na capital pernambucana e, além de participar de um show no marco zero da cidade, realizou duas conferências. Numa delas, disse que estava nascendo "uma nova forma de conceituar a música brasileira". "A feira mostra que as estratégias de promoção musical precisam ser revistas", disse Gil. As tais estratégias foram discutidas exaustivamente, ao lado de temas como distribuição digital, mercado independente e alternativas para driblar a queda nas vendas de discos, em palestras do Porto Musical. O evento ocorre desde 2005 em Recife e, neste ano, foi incorporado à FMB. Além das reuniões do Porto Musical e das rodadas de negociações, a FMB ainda teve shows e uma feira de produtos. As performances aconteceram em três palcos, com atrações internacionais pouco conhecidas, como os espanhóis La Kinky Beat e o argentino Axel Krygier, e muitos famosos. O "mainstream" da MPB esteve em peso em uma apresentação que comemorou o centenário do frevo, na última sexta, e atraiu 40 mil pessoas ao marco zero da cidade. Entre os intérpretes, estavam Gil, Maria Rita, Vanessa da Mata, Ney Matogrosso e Elba Ramalho. ConversasSe os contratos foram (ou serão) feitos a portas fechadas, as negociações ocorreram em meio à folia pré-Carnaval das ruas de Recife. Nas rodas de conversas, artistas, produtores e empresários discutiam parcerias e faziam avaliações da feira. "Para mim, como produtor, foi superlegal", disse Gutie, criador do festival pernambucano RecBeat. "Participei de seis rodadas de negociações com selos de vários países, que representam uma cena fonográfica muito interessante." A cantora Olivia Hime, proprietária do selo Biscoito Fino, também estava empolgada. "Vou a muitos eventos internacionais e conheço bem as dificuldades de fazer uma feira", disse. "Em três anos, eles estarão prontos para receber gente do mundo inteiro", acredita ela. Os temas das conferências, por outro lado, foram objeto de críticas. "Achei mais do mesmo", falou o produtor e DJ pernambucano Bruno Pedrosa. Para ele, que participou do Porto Musical em 2006, os temas foram repetitivos. "Houve muita discussão sobre o fim do CD, DVD que vai durar só mais dez anos, MP3 que tinha que ser pago. Tudo o que o mercado está cansado de saber. Eles deveriam fazer palestras que propusessem soluções", falou ele. "Não acho que os temas sejam repetitivos", contrapôs Gutie. "Novas tecnologias, esquemas de distribuição, o que fazer sobre a derrocada das gravadoras são assuntos palpitantes. Não vejo como fugir disso." No ano que vem, a FMB continua em Recife. Depois, deve passar a ser itinerante.
A jornalista ADRIANA FERREIRA SILVA viajou a convite da FMB

Monday, February 12, 2007

Música é maior força da Economia da Cultura no Brasil 9/02/07

A música brasileira é uma das maiores forças da música mundial e a maior força da Economia da Cultura no Brasil. A afirmação foi feita pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, aos jornalistas presentes à coletiva de imprensa da ‘Feira Música Brasil’, ocorrida na tarde de quarta-feira (7), em Recife (PE). O ministro começou a coletiva dando um panorama geral do que representa a música brasileira no mercado fonográfico nacional e internacional. “Temos hoje um mercado interno fortíssimo, onde a música brasileira domina 80% do consumo, quando nos países latino-americanos esse percentual não passa de 5%”, explicou. Usando dados do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), o ministro explicou que a indústria fonográfica estabelecida no Brasil movimentou R$ 650 milhões em 2005 e exportou outros R$ 70 milhões em discos. A arrecadação de direitos autorais sobre execução pública foi de R$ 275 milhões em 2006. Mas, Gilberto Gil alertou que a esses números falta agregar os resultados das gravadoras brasileiras, que já conquistaram quase 40% do mercado, fato inédito na nossa história musical. Falta agregar ainda o montante gerado por direitos autorais em licenciamento em veiculação digital e, através de outras entidades arrecadadoras; falta agregar o montante gerado pelos shows, segmento fortíssimo sobre o qual pouco se sabe; falta agregar os números da indústria de instrumentos musicais, hoje fortemente exportadora; e falta agregar os números gerados pelos estúdios, pelas produtoras de audiovisual de música, pelos fabricantes de equipamentos e uma série de outras ramificações da complexa cadeia produtiva da música. O ministrou afirmou que é preciso conhecer essa cadeia produtiva para que se possa potencializar os seus resultados. E que, por isso, o Ministério da Cultura está contratando o estudo de toda a cadeia de valor da música, que deverá fornecer os subsídios necessários para formulação de mecanismos de fomento e ajudar o setor a trabalhar com planejamento estratégico. “Não basta contratar um estudo. É preciso que os profissionais e as empresas estejam conscientes da necessidade de se fazer conhecer e organizem seus números, passem a evidenciar seus resultados. É preciso que o setor esteja consciente do potencial de crescimento dentro e fora do País e trabalhe com planejamento e metas”, explicou o ministro. Mesmo com os altos números já citados do mercado fonográfico brasileiro, Gilberto Gil alertou que a música brasileira ainda encontra sérias dificuldades para veicular dentro do País. “A música brasileira encontra grande dificuldade para divulgar sua diversidade no rádio. O veículo, acessado por 62% da população, poderia ser o maior parceiro da música brasileira, mas continua arcaico na sua forma de programação ainda fechada à diversidade, mesmo num momento em que a tecnologia digital democratiza as possibilidades de acesso a conteúdos”. Ações previstas Gilberto Gil afirmou que a Feira Música Brasil é a ação que inaugura o Programa de Desenvolvimento da Cultura (Prodec), que tem o objetivo de apoiar a dimensão produtiva das atividades da cultura. Esse programa tem três eixos de ação: área de capacitações; área de formação; e área de promoção de negócios. A feira insere-se nesta última área. O Prodec contará com o orçamento de R$ 13 milhões em 2007. “A Feira Música Brasil é uma experiência piloto, cuja permanência depende, sobretudo, da ação dos profissionais da música brasileira, de suas empresas e de suas associações. O governo brasileiro está oferecendo o impulso inicial para que ela se firme”, afirma Gilberto Gil.

Regina XeylaASN