Seu iPod fica órfão de música no Brasil
Seu iPod fica órfão de música no Brasil O Estado de S. Paulo - 11/4/2006- Por Link - Guilherme Werneck
Imagine como seria a sua discoteca se, no passado, cada álbum que você comprasse precisasse de um toca-discos diferente. Se você comprasse um CD de uma determinada gravadora, ele só seria reproduzido em aparelhos compatíveis com ele. Provavelmente você não teria discos, certo? Pois é isso que, na prática, acontece com a música digital. O vilão dessa história é o chamado Digital Rights Management (DRM), o sistema de criptografia que controla a licença digital. Isso significa que, mais do que um arquivo de música, como um MP3 normal, a música que você compra com DRM carrega junto as informações do que você pode ou não fazer com aquela música. As gravadoras, principalmente as multinacionais , não colocam na web nenhuma música à venda sem controlar os diretos digitais. Para piorar, cada loja virtual adota um tipo de DRM diferente. Na prática isso significa que, se você comprar uma música no iMusica, só poderá ouvi-la no computador usando o Windows Media Player e só poderá passar essa música para tocadores digitais que leiam arquivos WMA, da Microsoft. Mas esse não é um problema exclusivo do Brasil - afeta os consumidores em escala mundial. As principais lojas de música digital de fora do País, como o iTunes e o Napster, adotam modelos diferentes de DRM. Um dos principais atrativos de se comprar música digital é rechear o seu tocador preferido, sem ter muito trabalho. E aí é que as pessoas sentem o quanto essa lógica de formatos distintos de proteção pode ser bastante perversa. Se você tem um iPod, o tocador mais vendido no mundo, e quer comprar música digital no iMusica, esqueça. O iPod não reproduz o formato WMA, da concorrente Microsoft. Isso porque a Apple tem o seu próprio formato para arquivos protegidos, o AAC, que, por sua vez, não é reconhecido pelos tocadores concorrentes. Nos Estados Unidos, as gravadoras colocam suas músicas à venda em diferentes lojas em formatos distintos. Assim, se você tem um iPod, só vai comprar na loja da Apple. Se tem um da Creative, terá de comprar no Napster, por exemplo. Mas e se você quiser, no futuro, trocar de tocador? Aí toda a música que você comprou - e não pagou barato por ela - terá de ser comprada novamente só por causa da mudança de tecnologia. No caso do Brasil, em que só temos o iMusica, não é possível comprar localmente músicas que toquem no iPod. Para o diretor da Associação Brasileira da Música Independente e professor da ESPN/Rio Jerome Vonk, um dos motivos dessa confusão de formatos acarretada pelo uso de DRM vem da própria tradição da indústria fonográfica. "A grande verdade é que a indústria nunca inventou nada, sempre foi muito reativa. Todas as invenções, desde o gramofone, vieram de fora da indústria.". <
Imagine como seria a sua discoteca se, no passado, cada álbum que você comprasse precisasse de um toca-discos diferente. Se você comprasse um CD de uma determinada gravadora, ele só seria reproduzido em aparelhos compatíveis com ele. Provavelmente você não teria discos, certo? Pois é isso que, na prática, acontece com a música digital. O vilão dessa história é o chamado Digital Rights Management (DRM), o sistema de criptografia que controla a licença digital. Isso significa que, mais do que um arquivo de música, como um MP3 normal, a música que você compra com DRM carrega junto as informações do que você pode ou não fazer com aquela música. As gravadoras, principalmente as multinacionais , não colocam na web nenhuma música à venda sem controlar os diretos digitais. Para piorar, cada loja virtual adota um tipo de DRM diferente. Na prática isso significa que, se você comprar uma música no iMusica, só poderá ouvi-la no computador usando o Windows Media Player e só poderá passar essa música para tocadores digitais que leiam arquivos WMA, da Microsoft. Mas esse não é um problema exclusivo do Brasil - afeta os consumidores em escala mundial. As principais lojas de música digital de fora do País, como o iTunes e o Napster, adotam modelos diferentes de DRM. Um dos principais atrativos de se comprar música digital é rechear o seu tocador preferido, sem ter muito trabalho. E aí é que as pessoas sentem o quanto essa lógica de formatos distintos de proteção pode ser bastante perversa. Se você tem um iPod, o tocador mais vendido no mundo, e quer comprar música digital no iMusica, esqueça. O iPod não reproduz o formato WMA, da concorrente Microsoft. Isso porque a Apple tem o seu próprio formato para arquivos protegidos, o AAC, que, por sua vez, não é reconhecido pelos tocadores concorrentes. Nos Estados Unidos, as gravadoras colocam suas músicas à venda em diferentes lojas em formatos distintos. Assim, se você tem um iPod, só vai comprar na loja da Apple. Se tem um da Creative, terá de comprar no Napster, por exemplo. Mas e se você quiser, no futuro, trocar de tocador? Aí toda a música que você comprou - e não pagou barato por ela - terá de ser comprada novamente só por causa da mudança de tecnologia. No caso do Brasil, em que só temos o iMusica, não é possível comprar localmente músicas que toquem no iPod. Para o diretor da Associação Brasileira da Música Independente e professor da ESPN/Rio Jerome Vonk, um dos motivos dessa confusão de formatos acarretada pelo uso de DRM vem da própria tradição da indústria fonográfica. "A grande verdade é que a indústria nunca inventou nada, sempre foi muito reativa. Todas as invenções, desde o gramofone, vieram de fora da indústria.". <


1 Comments:
At 7:59 PM,
Anonymous said…
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