Texto Júlio Medaglia editado na Revista Concerto
Abaixo encontra-se o último texto do Júlio Medaglia editado na Revista Concerto.
Deputado, cadê o meu?Em meados dos anos 70 eu assumi a direção da Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro, emissora cultural-educativa do governo daquele Estado. Tomando conhecimento do universo administrativo no qual iria atuar, me dei conta que a emissora não pagava direitos autorais pelas músicas transmitidas. Com meus poderes gerenciais, através de ofícios, determinei que esses direitos fossem pagos imediatamente. Mas a questão gerou polêmicas e os processos não caminhavam. Fui, então, ao governador Faria Lima, um político cuja dignidade e grandeza tanto quanto a de seu irmão, nosso inesquecível prefeito nos deixa saudosas lembranças nestes tempos de Severino Cavalcanti. Argumentando ele que aquele órgão de comunicação havia sido criado pelo grande pioneiro da radiofonia brasileira para fins educativos e de divulgação de nossa cultura, que não era uma rádio comercial, que não gerava lucros a ninguém, que era financiada pelos impostos do contribuinte etc. etc., perguntou se mesmo assim eu achava que esses direitos deveriam ser pagos. "Governador", disse eu, "hoje de manhã queimou uma válvula do transmissor e o técnico, ao adquirir uma nova, disse ao importador que não iria pagar pois ela seria utilizada por uma rádio educativa. O sr. acha que o comerciante nos forneceu a válvula?" É evidente que a polêmica parou por aí e, a partir da relação de músicas que éramos obrigados a enviar à censura da época, pela primeira vez uma emissora pública passou a pagar direitos autorais.
É extremamente curioso notar como a "aura" que envolve a criação artística, assim como seu caráter aparentemente abstrato, levam pessoas a acreditar que o produto cultural se diferencia, em seu potencial patrimonial, do de um bem de consumo comum. Isso gera inúmeras confusões, mas muitas vezes também uma legião de aproveitadores, como vimos na minha crônica anterior desta CONCERTO, quando abordamos o crime da pirataria. Hoje vamos lembrar mais um fato, tão questionável como o anterior, no qual os artistas autores e intérpretes são igualmente os mais prejudicados.
[...] Leia o artigo completo na edição de maio da Revista CONCERTO.
Deputado, cadê o meu?Em meados dos anos 70 eu assumi a direção da Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro, emissora cultural-educativa do governo daquele Estado. Tomando conhecimento do universo administrativo no qual iria atuar, me dei conta que a emissora não pagava direitos autorais pelas músicas transmitidas. Com meus poderes gerenciais, através de ofícios, determinei que esses direitos fossem pagos imediatamente. Mas a questão gerou polêmicas e os processos não caminhavam. Fui, então, ao governador Faria Lima, um político cuja dignidade e grandeza tanto quanto a de seu irmão, nosso inesquecível prefeito nos deixa saudosas lembranças nestes tempos de Severino Cavalcanti. Argumentando ele que aquele órgão de comunicação havia sido criado pelo grande pioneiro da radiofonia brasileira para fins educativos e de divulgação de nossa cultura, que não era uma rádio comercial, que não gerava lucros a ninguém, que era financiada pelos impostos do contribuinte etc. etc., perguntou se mesmo assim eu achava que esses direitos deveriam ser pagos. "Governador", disse eu, "hoje de manhã queimou uma válvula do transmissor e o técnico, ao adquirir uma nova, disse ao importador que não iria pagar pois ela seria utilizada por uma rádio educativa. O sr. acha que o comerciante nos forneceu a válvula?" É evidente que a polêmica parou por aí e, a partir da relação de músicas que éramos obrigados a enviar à censura da época, pela primeira vez uma emissora pública passou a pagar direitos autorais.
É extremamente curioso notar como a "aura" que envolve a criação artística, assim como seu caráter aparentemente abstrato, levam pessoas a acreditar que o produto cultural se diferencia, em seu potencial patrimonial, do de um bem de consumo comum. Isso gera inúmeras confusões, mas muitas vezes também uma legião de aproveitadores, como vimos na minha crônica anterior desta CONCERTO, quando abordamos o crime da pirataria. Hoje vamos lembrar mais um fato, tão questionável como o anterior, no qual os artistas autores e intérpretes são igualmente os mais prejudicados.
[...] Leia o artigo completo na edição de maio da Revista CONCERTO.
(Leia mais notícias do mundo musical na edição de maio da revista CONCERTO.)
Onde comprar a revista CONCERTO


5 Comments:
At 10:06 PM,
Anonymous said…
I'm impressed with your site, very nice graphics!
»
At 1:13 PM,
Anonymous said…
Greets to the webmaster of this wonderful site! Keep up the good work. Thanks.
»
At 7:59 PM,
Anonymous said…
Very pretty design! Keep up the good work. Thanks.
»
At 1:42 PM,
Anonymous said…
I say briefly: Best! Useful information. Good job guys.
»
At 9:32 PM,
Anonymous said…
Here are some latest links to sites where I found some information: http://google-machine.info/1813.html or http://neveo.info/2220.html
Post a Comment
<< Home