Thursday, August 17, 2006


AS PERGUNTAS QUE A MTV NÃO RESPONDE


A emissora musical opta pelo silêncio diante de estudo que identifica oligopólios da indústria fonográfica por trás da imagem moderna, alternativa e independente da programação
Por Pedro Alexandre Sanches
No ambiente quase sempre conservador da televisão brasileira, a MTV forma um nicho de resistência para a música jovem alternativa, independente, rebelde, certo? Mais ou menos, se se levarem em conta os argumentos levantados pela comunicadora gaúcha Ana Paola de Oliveira, no estudo MTV Brasil: O Mercado Comercial da Música Jovem, resultado de seu mestrado na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS). A linha condutora do trabalho é a demonstração de como, por detrás da imagem de contemporaneidade e apoio aos novos da rede musical de tevê, se esconde um alicerce que segue à risca os ditames da indústria cultural não só brasileira, mas transnacional. Ela utiliza uma amostragem de programação musical coletada no ano passado nos programas de videoclipes e/ou paradas de sucessos Disk MTV, Central MTV e Top 20 Brasil. E verifica um predomínio da ordem de 90% de músicas de artistas pertencentes a BMG, EMI, Sony, Universal e Warner, as cinco grandes gravadoras multinacionais instaladas no Brasil (e hoje reduzidas a quatro, pela fusão entre Sony e BMG). Confira a íntegra dessa reportagem na edição impressa. Abaixo, as perguntas que a MTV não quis responder:

1. A MTV reconhece como válidos os resultados da pesquisa da dissertação de Ana Paola de Oliveira, que verifica por amostragem a forte predominância das multinacionais em sua programação? A estimativa dela é de que "90% dos artistas exibidos com maior destaque estão vinculados às empresas transnacionais do disco". A MTV reconhece a pesquisa e a estimativa da autora? Se reconhece, por que é assim? Se não, como é efetivamente distribuído o cenário musical total do Brasil pela programação da TV?

2. A autora erra ao afirmar que 50% das açõees da MTV Brasil pertencem ao Grupo Abril e que os 50% restantes são do grupo norte-americano Viacom? Como é, de fato, essa divisão?

3. Seja por intermédio da Viacom ou de outras ligações institucionais, a MTV participa de relações interligadas com multinacionais do disco, que justifiquem a posição da autora, de que políticas de alianças entre grandes empresas trariam, no limite, questões da música brasileira para o território de "ações entre amigos"?

4. Mesmo sendo crescente até mesmo em eventos centrais como o VMB, a MTV não considera procedente essa avaliação crítica de que o universo independente tem na rede que supostamente o representa uma participação muito menor do que sua participação efetiva na sociedade brasileira?

5. O que a emissora diria sobre a conclusão de Ana Paola, de que "o discurso democrático da MTV é uma abstração, pois se trata de um canal comercial, e naquilo que é sua essência determina padrões, limitando a difusão e o acesso à diversidade cultural"? Essa crítica de cunho sócio-cultural seria disparatada, ou teria algum fundamento?

6. Sobre a avaliação da autora de que "o público, a produção artística musical, a indústria e os meios de comunicação criaram um vínculo, um grande nó, que se configura numa dependência histórica, social e econômica", o que a MTV teria a dizer? A interdependência entre MTV, gravadoras, artistas consagrados e grande imprensa musical/televisiva é algo saudável, ou geraria também em seu bojo efeitos negativos?

7. Com a prática de se comprometer mais com o mercadão fonográfico multinacional, a MTV Brasil colabora simbolicamente para que sejamos um dos países líderes em desigualdade social no mundo? Esse dado não contrasta com a imagem de modernidade da MTV?

8. A que se deve a predominância de Sony & BMG, Universal, Warner e EMI na programação e nas premiações da MTV? 9. Na MTV, a programação e o departamento artístico ficam subordinados a acordos feitos pelo departamento comercial, como afirma a autora?

10. Por que, entre as independentes, a Deckdisc vem galgando posições rápidas e mais pronunciadas que as de outras gravadoras independentes junto à MTV? Apóio essa pergunta/afirmação na constatação da presença constante e premiada da Deck no VMB, da presença de Rafael Ramos como produtor de um "MTV Especial" (o "Aborto Elétrico" do Capital Inicial) e assim por diante.

11. O "Acústico MTV" dedicado às bandas gaúchas (conterrâneas, pois, da autora da tese) rompeu uma tradição do formato, unindo num mesmo especial quatro grupos que não são veteranos, extremamente populares e/ou consolidados, e que tampouco possuem contrato com multinacionais. A que se deve essa postura diferenciada nesse caso? É uma exceção, ou indica possíveis novos rumos para a MTV?

12. O texto usa por vezes o termo "jabá", embora não ofereça evidências ou provas de que a MTV recorra a esse expediente. Por outro lado, trata o "jabá" como "uma prática institucionalizada no início do século XXI, dentro da lógica capitalista, impondo conteúdos midiáticos, relacionando esse processo aos oligopólios mundiais e à circulação de produtos culturais". Como a MTV se posiciona diante dessas classes de conceito, tanto o "jabá" quanto as "promoções institucionalizadas de marketing"? A MTV as pratica?

13. Tornando mais específica a pergunta anterior: na MTV há contaminação de espaço editorial por conteúdo publicitário? Em caso de resposta negativa, como a rede faz para evitar relações promíscuas entre os dois setores?

14. Por fim, seria possível uma avaliação geral da MTV sobre o trabalho acadêmico que ela motivou? É positivo ou negativo, para a instituição, que sua existência e sua atuação motivem a reflexão e o estudo da academia?

Friday, August 11, 2006

Portal da Música Brasileira é lançado em Fortaleza

Portal da Música Brasileira é lançado em Fortaleza


Sucesso! - 11/8/2006- Por Thomaz Rafael
Entrou no ar o www.musicadobrasil.org.br, portal desenvolvido pela Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), pela Associação Brasileira das Gravadoras Independentes (AGI) e pela Brasil, Música e Artes (BM&A). O projeto conta com o apoio do Governo Federal, por meio das entidades Sebrae, Apex e MinC.. O lançamento acontece em Fortaleza, durante a V Feira da Música, que deve reunir toda a cadeia produtiva da música independente do País. A Feira contará com a presença do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do Presidente da ABMI, Carlos de Andrade. Música do Brasil é um projeto que tem como principal objetivo o desenvolvimento setorial da produção musical brasileira. O portal irá fortalecer as ligações entre a produção musical brasileira e o mercado internacional, dando visibilidade àqueles que produzem música brasileira e facilitando o acesso destes produtores às empresas estrangeiras potencialmente interessadas em seus produtos e vice-e-versa. O portal pretende ainda abastecer de informações o produtor musical brasileiro, tornando-o mais competitivo e preparado para atuar no mercado interno e externo. O banco de dados do site reunirá informações sobre o mercado brasileiro e internacional com o cadastro de produtores, gravadoras, editoras, músicos, estúdios e profissionais do setor. Haverá também informações sobre legislação, tributos e estudos de mercados estrangeiros (argentino, japonês, espanhol, francês e alemão). Destaque ainda para o manual do exportador, agenda de shows de artistas brasileiros no exterior, links para instituições relacionadas à música em todo o mundo e eventos como feiras, festivais e premiações nacionais e estrangeiras. Durante a V Feira da Música em Fortaleza, o portal Música do Brasil entrará no ar com textos em português, direcionado ao mercado nacional. A versão traduzida para o inglês será lançada durante a Popkomm, feira internacional que acontecerá em Berlim, na Alemanha, de 19 a 22 de setembro. Na oportunidade, o portal www.musicfrombrazil.com será apresentado com conteúdo destinado à pesquisa de estrangeiros sobre nosso mercado. A atualização dos portais ficará a cargo da ABMI e a idéia é que os próprios músicos, gravadoras, produtoras e profissionais possam incluir e atualizar seus dados, da mesma forma que acontece em outros sites de banco de dados, como o wikipedia, por exemplo.
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Sucesso! - 11/8/2006- Por Thomaz Rafael
Entrou no ar o www.musicadobrasil.org.br, portal desenvolvido pela Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), pela Associação Brasileira das Gravadoras Independentes (AGI) e pela Brasil, Música e Artes (BM&A). O projeto conta com o apoio do Governo Federal, por meio das entidades Sebrae, Apex e MinC.. O lançamento acontece em Fortaleza, durante a V Feira da Música, que deve reunir toda a cadeia produtiva da música independente do País. A Feira contará com a presença do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do Presidente da ABMI, Carlos de Andrade. Música do Brasil é um projeto que tem como principal objetivo o desenvolvimento setorial da produção musical brasileira. O portal irá fortalecer as ligações entre a produção musical brasileira e o mercado internacional, dando visibilidade àqueles que produzem música brasileira e facilitando o acesso destes produtores às empresas estrangeiras potencialmente interessadas em seus produtos e vice-e-versa. O portal pretende ainda abastecer de informações o produtor musical brasileiro, tornando-o mais competitivo e preparado para atuar no mercado interno e externo. O banco de dados do site reunirá informações sobre o mercado brasileiro e internacional com o cadastro de produtores, gravadoras, editoras, músicos, estúdios e profissionais do setor. Haverá também informações sobre legislação, tributos e estudos de mercados estrangeiros (argentino, japonês, espanhol, francês e alemão). Destaque ainda para o manual do exportador, agenda de shows de artistas brasileiros no exterior, links para instituições relacionadas à música em todo o mundo e eventos como feiras, festivais e premiações nacionais e estrangeiras. Durante a V Feira da Música em Fortaleza, o portal Música do Brasil entrará no ar com textos em português, direcionado ao mercado nacional. A versão traduzida para o inglês será lançada durante a Popkomm, feira internacional que acontecerá em Berlim, na Alemanha, de 19 a 22 de setembro. Na oportunidade, o portal www.musicfrombrazil.com será apresentado com conteúdo destinado à pesquisa de estrangeiros sobre nosso mercado. A atualização dos portais ficará a cargo da ABMI e a idéia é que os próprios músicos, gravadoras, produtoras e profissionais possam incluir e atualizar seus dados, da mesma forma que acontece em outros sites de banco de dados, como o wikipedia, por exemplo.

Thursday, August 03, 2006

Músico defende maior envolvimento do governo no combate ao jabá

Terra - 3/8/2006- Por Agência Brasil - Redação

O músico Marcelo Yuka defendeu hoje a participação de outros ministérios, juntamente com o da Cultura, no combate ao chamado jabá (execução de música em rádio mediante pagamento). Segundo ele, apesar de o Ministério da Cultura "não estar presente" no combate a essa prática, "pelo menos já está começando a discutir com a gente". "O ministro da Cultura (Gilberto Gil) é músico. Em algum momento, uma gravadora pagou para que ele tocasse nas rádios. Ele sabe muito bem o desgaste que o jabá produz na cultura nacional. Agora precisamos atrair outros ministérios. Nesse momento, várias concessões estão sendo negociadas", disse Yuka, ex-baterista e compositor da banda O Rappa e atualmente no F.UR.T.O., sigla para Frente Urbana de Trabalhos Organizados. A avaliação foi feita durante audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro sobre a criminalização do jabá. O projeto de lei estadual é de autoria dos deputados Gilberto Palmares e Carlos Minc, ambos do PT. Segundo os parlamentares, a proposta é complementar ao projeto do deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), que também pretende punir rádios que se utilizem desse recurso. A presidente da associação Jabasta, Bia Grabois, disse que é preciso conscientizar os cidadãos contra o jabá. "Rádios e TVs são concessões públicas, não podem cobrar para tocar músicas. Isso prejudica não só o artista, mas todo o país, que fica com a sua cultura subordinada a interesses econômicos, a quem pode pagar", justificou. Ela afirmou que as rádios utilizam várias formas para disfarçar a cobrança. "Algumas têm tabela, outras trocam execuções pela bilheteria de vários shows do músico e ainda disfarçam o recebimento do dinheiro dizendo que é uma campanha de marketing com a gravadora". Segundo o músico Lobão, o jabá sempre existiu, mas foi consolidado nos anos 80. "Até essa época ainda havia execuções espontâneas e esporádicas. A partir do governo do ex-presidente José Sarney, quando se doaram muitas concessões, tudo mudou. Hoje, 99% do que toca nas rádios, com exceção das culturais e comunitárias, é pago. Só escapam alguns ritmos que vêm da internet e funks, que entram pela janela por serem muito populares". O representante do Ministério da Cultura, Adair Rocha, rebateu as críticas de omissão. "O que ele (Gilberto Gil) está querendo propor é a discussão, saber o que significa exatamente isso (jabá), como funciona na sociedade, para estabelecer políticas". Pressionado a se posicionar sobre a prática, Rocha disse que o ministério é contra, mas frisou a necessidade de uma boa definição do que é jabá ou não.